Por que o concreto romano resiste até hoje?
- Nunes Engenharia
- 14 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
Há mais de dois mil anos, o Império Romano desenvolveu um tipo único de concreto que possibilitou a construção de estruturas monumentais e extremamente duráveis, mesmo sob a ação da água.

As propriedades químicas dessa mistura de concreto permaneceram um mistério para os cientistas até recentemente. Agora, pesquisadores da Universidade de Utah acreditam ter finalmente desvendado o segredo por trás dessa fórmula.
O segredo reside na combinação de cal e cinzas vulcânicas, materiais abundantes na região de Pozzuoli, perto de Nápoles. Essas cinzas contêm um mineral raro chamado tobermorita de alumínio. Quando exposta à água do mar, a tobermorita de alumínio se cristaliza na cal durante o processo de cura. Em vez de ser corroído pela água, esse processo de cristalização fortalece o material.
Pesquisas detalhadas mostraram que a interação entre a cal, as cinzas vulcânicas e a água do mar, resulta na formação de estruturas cristalinas interligadas que aumentam a durabilidade e a resistência do concreto romano. Esse fenômeno impede a formação de fissuras e degradação, características comuns no concreto moderno.

Os pesquisadores usaram técnicas avançadas de análise química, incluindo microscopia eletrônica e difração de raios X, para identificar a composição e a estrutura interna do concreto romano. Eles descobriram que a tobermorita de alumínio se forma em baixas temperaturas, uma característica que o concreto moderno não consegue replicar facilmente, uma vez que requer altas temperaturas para a formação de minerais similares.

Essa descoberta não apenas revela os segredos da engenharia romana, mas também pode influenciar a construção moderna. A replicação dessa antiga fórmula pode levar ao desenvolvimento de concretos mais duráveis e sustentáveis, reduzindo os custos de manutenção e o impacto ambiental das construções.